O CASO DA AYAHUASCA
Cipó da Alma
Desde inúmeras gerações, pajés da Amazônia
ocidental vem utilizando a planta Banisteriopsis caapi para produzir
uma bebida cerimonial chamada "ayahuasca". Os pajés utilizam
a ayahuasca (que significa "cipó da alma") em cerimônias
religiosas de cura, para diagnosticar e tratar doenças, para encontrar
com espíritos e adivinhar o futuro.
"Da Vine" - descoberta de Loren Miller?
Um americano, Loren Miller obteve uma patente em junho 1986, que concede
para ele os direitos sobre uma suposta variedade de B. caapi que
havia chamado "Da Vine". Consta na descrição da
patente que a planta foi descoberta num quintal doméstico na Amazônia.
O detentor da patente reivindicou que Da Vine representava uma nova e
distinta variedade de B. caapi, principalmente por causa da cor da flor.
1999 - patente anulada
A Coordenadoria das Organizações Indígenas da Bacia
Amazônica (COICA) - uma organização que representa
mais que 400 grupos indígenas - tomaram conhecimento da patente
em 1994. Em seu nome, o Centro para Lei Internacional Ambiental (CIEL)
entrou com um pedido de re-examinação da patente. CIEL argumentou
que Da Vine não era nem novo nem distinto. Argumentaram também
que a patente seria contrária aos aspectos públicos e de
moralidade do Ato de Patente por causa da natureza sagrada de Banisteriopsis
caapi na região Amazônica. Foram apresentadas extensas informações
novas pela CIEL, e em novembro de 1999, o USPTO rejeitou a patente, admitindo
que "Da Vine" não era distinto da planta utilizada pelos
indígenas apresentada por CIEL e, portanto, a patente nunca deveria
ter sido emitida.
2001 - patente reativada
Entretanto, o detentor da patente, reargumentou e convenceu o USPTO para
inverter sua decisão e anunciar no início de 2001 que a
patente permaneceria válida. Por causa da data de arquivamento
da patente, ela não foi coberta pelas novas regras de "inter
partes re-examinação". CIEL ficava portanto, impossibilitado
de contra-argumentar o detentor da patente, e a patente continuou em vigor
até seu vencimento em junho de 2003.
Protesto
Povos Indígenas continuam protestando contra esta patente. BENKI
ASHANINKA, representante do povo ASHANINKA levantou o assunto no workshop
internacional "Cultivando Diversidade" em maio de 2002 em
Rio Branco, Acre, : " ...isto mostra a falta de consciência
e respeito para outras culturas." (Clique
aqui para a materie.)
Comercialização nos Estados Unidos
- Plantação no Hawaí
O uso da Ayahuasca vem se espalhando pelo mundo através do "Santo
Daime" e da "União do Vegetal", religiões
fundadas no século passado no Brasil.
Até pouco tempo atrás, nos Estados Unidos, a bebida estava
classificada como sustância ilegal, porque ela contém o alucinógeno
dimethyltriptamin (DMT). Desde agosto 2002, a bebida está liberada
nos EUA para o uso religioso. Desde então, o comércio do
chamado "Caapi Vine" vem crescendo. O interessante nesse fato,
é que já existem plantações com fins comerciais
nos EUA e no Hawaii.
(confira aqui um site
para venda do Caapi Vine nos EUA)
Bibliografia:
Integrating Intellectual Property Rights and Development Policy.
Report of the Commission on Intellectual Property Rights.
Commission on Intellectual Property Rights. London 2002
PATENTE SOBRE "DA VINE" (AYAHUASCA)
Registrado por |
Registrado
onde |
Data de publicação |
Titulo |
Numero
(Clique o numero para mais informação
fornecida pela esp@cenet
) |
| MILLER LOREN S (US) * |
Estados Unidos |
17/06/1986 |
Banisteriopsis caapi (cv) 'Da Vine' |
US
5751P |
*Não sabemos se, ou até
que grau o termo biopirataria se aplica para cada um dos detentores de
patentes e marcas aqui mencionados. Porém, consideramos questionável
a pratica de patenteamento de plantas e cultivares tradicionalmente usadas
pelas comunidades da Amazônia e o registro de seus nomes como marcas
e convidamos os detentores destes direitos a se
justificarem através de um comentário.
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