Documentos,
recortes de jornais e publicações não deixam dúvida:
a Embrapa Amazônia Oriental foi o primeiro a desenvolver o produto,
há 17 anos. Chocolate de cupuaçu e não de cacau
já é realidade na Amazônia há muitos anos.
Após o despolpamento da fruta, o que até então
era um subproduto sem nenhum valor, está se transformando no
produto batizado de cupulate. Parte da produção de sementes
do Pará, o maior produtor de cupuaçu do Brasil, já
não vai para o lixo ou compor a ração de suínos.
O Estado do Amazonas tem adquirido, anualmente, 40 toneladas de sementes
para abastecer a Chocam, empresa que produz cupulate e que tem sede
em Manaus .
O produto há 17 anos foi disponibilizado pela Embrapa Amazônia
Oriental, órgão do Ministério da Agricultura e
do Abastecimento que tem sede em Belém e há 12 está
patenteado junto ao Ministério da Indústria, do Comércio
e do Turismo, no Instituto Nacional de Propriedade Intectual (INPI).
O cupulate, como explica a pesquisadora responsável pela tecnologia,
Raimunda Fátima Ribeiro de Nazaré, é resultado
da industrialização das sementes do cupuaçu, fruteira
tipicamente amazônica, que pertence ao mesmo gênero do cacau
(ambos são Theobroma).
As sementes, matéria-prima do cupulate, são ricas em lipídios,
proteínas e calorias e depois de fermentadas, torradas e moídas
geram um produto, que garantem os especialistas, não deixa nada
a desejar ao chocolate tradicional, com composição química
e nutricional bem semelhantes. A diferença fica por conta do
teor de manteiga que é ligeiramente superior ao do produto de
cacau.
Em 1983, a pesquisadora iniciou os estudos concluídos dois anos
depois e em 1990, o Boletim de Pesquisa nº 108,editado pela Embrapa-Cpatu
e o pedido de reserva de patente de processo e produto junto ao Ministério
da Justiça/Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)
(Nº PI 9003739), oficializaram a tecnologia. Periodicamente, a
Embrapa efetua o pagamento das taxas de manutenção dessa
patente.
Estimativas apontam 1.289 hectares plantados com cupuaçuzeiros
adultos no Pará e uma produção estimada em 6.453.000
frutos, o que corresponde a 1.807 toneladas de polpa. A quantidade de
semente produzida, porém, não consta dos levantamentos
oficiais.
Texto:Ruth Rendeiro, jornalista da
Embrapa Amazônia Oriental
Originalmente publicado EM 1999 no Jornal do Trópico Úmido,