CAMPANHA
CONTRA A BIOPIRATARIA
LIMITES
ÉTICOS ACERCA DO REGISTRO DE MARCAS E PATENTES
DE
RECURSOS BIOLÓGICOS E CONHECIMENTOS TRADICIONAIS
DA AMAZÔNIA
Iniciativa:
Apoio:
A Rede GTA – Grupo
de Trabalho Amazônico, formada por 513 entidades de pescadores, seringueiros,
agricultores familiares, castanheiros, quebradeiras de côco babaçu,
mulheres, ambientalistas e de assessoria, informa a criação de
um grupo técnico para a Campanha Contra a Biopirataria no dia 26 de fevereiro
de 2003, em Brasília, cumprindo a meta definida por seu planejamento
participativo ocorrido em janeiro na cidade de Belém do Pará.
Esse grupo pretende ampliar a campanha iniciada pela organização
acreana Amazonlink.org depois de constatar
a impossibilidade da exportação de produtos do cupuaçu
porque este nome, de origem indígena e de domínio popular das
comunidades amazônicas, foi registrado como marca ou aplicação
comercial pelas multinacionais Asahi Foods e Cupuaçu International Inc.
na Europa, nos Estados Unidos e no Japão.
De acordo com o Itamaraty,
as embaixadas do Brasil em Tóquio, Washington e Berlim estão estudando
as leis desses países para contestar o registro e órgãos
técnicos. Também a Empresa Brasileira de Agropecuária (Embrapa)
está analisando a aplicação do processo de produção
do cupulate, extraído das amêndoas do cupuaçu e desenvolvido
no Brasil em 1990. Por outro lado, o Ministério do Meio Ambiente anuncia
estar estudando a revisão das normas sobre o acesso e repartição
de benefícios da biodiversidade no país. O Instituto Nacional
de Propriedade Industrial (INPI) enviou um dossiê para seu similar norte-americano,
o USTPO, solicitando o cancelamento de marcas como Cupuaçu, Açaí,
Caipirinha e outras.
Para as organizações
amazônicas, entretanto, este é o momento propício para reunir
todos os movimentos que estão levantando os casos de biopirataria como
o patenteamento do sangue de povos indígenas como os Suruí ou
os Yanomami, da mistura vegetal do Ayhuasca ou os conhecimentos farmacológicos
e cosméticos das comunidades nativas e caboclas para exigir do Brasil
o enfrentamento dos confrontos existentes entre a Convenção da
Diversidade Biológica, criada no Rio de Janeiro em 1992, e as normas
sobre patentes da Organização Mundial do Comércio, aprovadas
poucos anos depois.
O GTA solicita que as
comunidades amazônicas estejam representadas nos grupos de trabalho sobre
a revisão das estruturas de controle sobre o patrimônio genético
e da legislação brasileira referente à sua biodiversidade,
além de apoiar as políticas de valorização das sementes
e conhecimentos tradicionais.
Uma das datas referenciais
para a campanha será a Festa do Cupuaçu, prevista para a segunda
quinzena de abril no município de Presidente Figueiredo (AM), para um
ato público de repúdio contra o patenteamento de seres vivos ou
de conhecimentos comunitários no sistema brasileiro e internacional.
O mesmo tema pode motivar um ato na reunião da Organização
Mundial do Comércio, em setembro, no México.
A campanha prevê
ainda a produção de materiais de divulgação, da
manutenção de um banco público de dados sobre a biopirataria
no Brasil, sobre a confecção de materiais didáticos traduzindo
toda a questão para as comunidades tradicionais e indígenas. O
GTA busca pessoas e instituições dispostas a fortalecer esses
esforços.
Todas essas providências
seguem os princípios definidos pelo Manifesto de Rio Branco, realizado
em maio de 2002 pelos movimentos GRAIN e GTA, que reuniu produtores rurais da
América Latina, África e Ásia para aprofundarem o debate
sobre como a globalização das patentes vem prejudicando o controle
das comunidades sobre a diversidade biológica que ajudam a manter.
Desde a derrocada da borracha
pelo transplante de sementes para a Malásia, em 1876, esse talvez seja
um dos momentos mais importantes para a Amazônia decidir entre os direitos
de suas comunidades e os interesses puramente mercantis sobre suas riquezas
naturais e culturais. Muitos outros exemplos passados e recentes comprovam como
o controle dos meios de tecnologia e capital está monopolizando o patrimônio
de muitos nas mãos de poucos.
GRUPO DE
TRABALHO AMAZÔNICO – gtanacional @ gta.org.br
AMAZONLINK.ORG
– www. amazonlink.org
APOIO VOLUNTÁRIO
GENETIC
RESOURCES ACTION INTERNATIONAL – www. grain.org
INST. BRAS.
COM. INTERN. TECN. E DESENVOLVIMENTO – edsonbeas @ hotmail.com
REGENWALD
INSTITUT – regenwald-institut.de