O CASO DA RÃ PHYLLOMEDUSA BICOLOR
- VACINA DO SAPO
USO TRADICIONAL | PESQUISA
INTERNACIONAL | RESULTADOS SURPREENDENTES | PATENTES
| PREOCUPAÇÃO DAS POPULAÇÕES
TRADICIONAIS
|
O sapo verde
– phyllomedusa bicolor é a maior espécie
do gênero da família Hylidae, que ocorre na
Amazônia [1]. Podendo
ser encontrado em quase todos países amazônicos, como
as Guianas, Venezuela, Colômbia, Peru, Bolívia e Brasil.
Principalmente no período das chuvas, sob árvores
próximas aos igarapés. Onde coaxam por toda noite,
anunciando chuva no dia seguinte. Mas, é na madrugada, que
são "colhidos" a fim de retirarem sua secreção
cutânea, para fazer a “vacina do sapo”. |
Uso Tradicional
Tomar a vacina do sapo é uma prática antiga com
fins medicinais, muito difundida entre os povos indígenas do Brasil
e do Peru. A finalidade mais procurada é “tirar a panema”,
ou seja, afastar a má sorte na caça e com as mulheres.
Existem variações nos rituais e nomes dados ao sapo verde.
Na história antiga dos Kaxinawá, o sapo kampu (nome utilizado
pelo povo Kaxinawá),era o chefe do “nixi pëi”,
bebida preparada com o cipó Banisteriopsis caapi (ver
também o caso da Ayahuasca). Já
os Katukina, nunca o matam, pois dizem que poderão ser picados
por cobra, pois seu veneno é retirado do sapo kambô. Para
os Ashaninka, quando o sapo wapapatsi canta perto da casa, o dono tem
que apanhá-lo, queimar os pulsos e dormir. Bem cedo, tem de preparar
um mingau bem forte e bater nas costas do sapo, para ele soltar o veneno
que será passado sobre a pele. Entretanto, o remédio somente
terá resultado, se o caçador seguir as regras.
A vacina do sapo é considerada um remédio para muitos males
pelas populações tradicionais do vale do Juruá, curando
desde amarelão até dores em geral.[2] Hoje, a vacina do
sapo é utilizada também por seringueiros e vem sendo aplicada
por alguns curandeiros nas cidades de Cruzeiro do Sul/AC e Rio Branco/AC.
O efeito da vacina do sapo é curto, porém muito forte: ”uma
forte onda de calor, que sobe pelo corpo até a cabeça. A
dilatação dos vasos sanguíneos parece provocar uma
circulação mais veloz do sangue, deixando o rosto vermelho
e, seguida fica pálido, a pressão baixa, podendo provocar
náuseas, vomito e/ou diarréia. Durando cerca de 15 minutos.
Sensação desagradável, que aos poucos retorna a normalidade,
e a pessoa se sente mais leve, como se tivesse feito uma boa limpeza,
causando uma maior disposição”.
Pesquisa internacional
Pesquisas científicas vem sendo realizadas sobre as propriedades
da secreção de phyllomedusa bicolor desde da década
80 ou antes. O primeiro a “descobrir” as propriedades da secreção
para a ciência moderna, foi um grupo de pesquisadores italianos[3,4].
Amostras das rãs foram levadas do Peru para um pesquisador nos
EUA[5]. (Pesquisador que já
tinha pesquisado e patenteado anteriormente substancias da râ Epipedobates
tricolor, utilizada tradicionalmente pelos povos indígenas
de Equador. ver tambem na pagina mais
casos).
Também foram publicadas pesquisas sobre as propriedades da secreção
por pesquisadores franceses e israelitas[6].
Mais recente, a Universidade
de Kentucky (EUA) está pesquisando (e patenteando) uma das
substâncias encontradas na secreção do sapo em colaboração
com a empresa farmacêutica Zymogenetics.[7]
Resultados surpreendentes
As pesquisas revelaram que a secreção de phyllomedusa
bicolor contém uma serie de substancias altamente eficazes,
sendo as principais a dermorfina e a deltorfina, pertencentes ao grupo
dos peptídeos. Estes dois peptídeos eram desconhecidos antes
das pesquisas de phyllomedusa bicolor. Dermorfina é um
potente analgésico e deltorfina pode ser aplicada no tratamento
da Ischemia. (um tipo de falta de circulação sanguínea
e falta de oxigênio, que pode causar derrames). As substâncias
da secreção do sapo também possuem propriedades antibióticas
e de fortalecimento do sistema imunológico e ainda revelaram grande
poder no tratamento do mal de Parkinson, aids, câncer, depressão
e outras doenças.
Deltorfina e Dermorfina hoje estão sendo produzidos de forma sintética
e os laboratórios podem adquirir-las através de compra on-line.
(Clique
aqui para um site de venda)
PATENTES
(patentes que contem as palavras "phyllomedusa
bicolor" e/ou deltorphin e/ou dermorphin no titulo e/ou na descrição)
Registrado por |
Registrado
onde |
Data de publicação |
Titulo |
Numero
(Clique o numero para mais informação
fornecida por esp@cenet
e USPTO)
|
| UNIV KENTUCKY RES FOUND (US) * |
OMPI - mundial |
12/06/2003 |
Protection against ischemia and reperfusion injury
|
|
University of Kentucky Research Foundation (Lexington,
KY); *
ZymoGenetics (Seattle, WA) * |
Estados Unidos |
30/04/2002 |
Method for treating cytokine mediated hepatic
injury |
|
University of Kentucky Research Foundation (Lexington,
KY); *
ZymoGenetics (Seattle, WA) * |
Estados Unidos |
25/11/2001 |
Method for treating ischemia |
|
| UNIV KENTUCKY RES FOUND (US) * |
OMPI - mundial |
11/11/1999 |
METHOD FOR TREATING ISCHEMIA
|
|
| UNIV KENTUCKY RES FOUND (US) * |
OMPI - mundial |
11/11/1999 |
METHOD FOR TREATING CYTOKINE MEDIATED HEPATIC
INJURY
|
|
| Inventores: BISHOP PAUL D (US); KINDY MARK S (US);
OELTGEN PETER R (US); SANCHEZ JUAN A (US) * |
OMPI - mundial |
09/05/2002 |
USE OF D-LEU DELTORPHIN FOR PROTECTION AGAINST
ISCHEMIA AND REPERFUSION INJURY
|
|
| Mor; Amram (Jerusalem, IL) * |
Estados Unidos |
27/09/2002 |
Peptides for the activation of the immune system
in humans and animals
|
|
| ASTRA AB (SE) * |
Estados Unidos |
11/02/1997 |
Dermorphin analogs having pharmacological activity
|
|
| IAF BIOCHEM INT (CA) * |
União Européia,
Estados Unidos |
10/01/1990 |
Dermorphin analogs, their methods of preparation,
pharmaceutical compositions, and methods of therapeutic treatment
using the same.
|
|
| DAINIPPON PHARMACEUT CO LTD * |
Japão |
17/05/1989 |
DERMORPHIN-RELATED PEPTIDE
|
|
Preocupação das
populações tradicionais
Existe uma crescente preocupação dos povos da floresta com
o aproveitamento do conhecimento e dos recursos biológicos, que
eles utilizam tradicionalmente, por parte de grandes empresas. Esta preocupação
foi articulada, entre outros, no II
Encontro Interinstitucional dos Povos da Floresta do Vale do Juruá
Acreano, em abril/maio 2003. A preocupação com o patenteamento
da vacina do sapo foi principalmente instigada com uma matéria
do Globo Reporter , exibido em 02/2002. Desde enquanto, representantes
indígenas da região solicitam que seja averiguado este caso.
Se você possui informações que podem nos ajudar nesta
pesquisa, favor enviar para
Bibliografia:
- SOUZA, Moisés B. Diversidade de Anfíbios
nas Unidades de Conservação Ambiental: Reserva Extrativista
do Alto Juruá (REAJ) e Parque Nacional da Serra do Divisor
(PNSD), Acre – Brasil – UNESP- Rio Claro, SP. 2003, p.56-57.
(Tese de doutorado).
- SOUZA, Moisés B. et al. Anfíbios.
In: CUNHA, M. C. da; ALMEIDA, M. B. (Orgs.). Enciclopédia da
Floresta: O Alto Juruá: Práticas e Conhecimentos das
Populações, São Paulo - SP., Companhia das Letras,
2002, p.608-610.
- Erspamer, V., Melchiorri, P.,
Falconieri-Erspamer, G., Negri, L., Corsi, R., Severini, C., Barra,
D., Simmaco, M. and Kreil, G. (1989) "Deltorphins: A family of
naturally occurring peptides with high affinity and selectivity of
d opioid binding sites," Proc. Natl. Acad. Sci. USA, 86, 5188-5192.
- Erspamer, Vittorio et al.,
1993, Pharmacological Studies of 'Sapo' from the Frog Phyllomedusa
bicolor Skin: A Drug Used by the Peruvian Matses Indians in Shamanic
Hunting Practices, Toxicon, 31:1099-1111.
- Daly, J.W. et al. "Frog
Secretions and Hunting Magic in the Upper Amazon: Identification of
a Peptide that Interacts with an Adenosine Receptor", Proceedings
of the National Academy of Sciences 89: 10960-10963, 1992.
- Pierre Nicolas and Amram Mor,
Peptides as Weapons Against Microorganisms in the Chemical Defense
System of Vertebrates Annu. Rev. Microbiol. 1995, Vol. 49: 277-304
- Sigg D, Coles JA, Oeltgen PA, and Iazzo PA.
Role of Delta-Opioid Receptor Agonists on Infarct Size Reduction in
Swine. Am J Physiol Heart Circ Physiol. 282:H1953-H1960, 2002
*Não sabemos se, ou até que grau o termo
biopirataria se aplica para cada um dos detentores de patentes e marcas
aqui mencionados. Porém, consideramos questionável a pratica
de patenteamento de plantas e cultivares tradicionalmente usadas pelas
comunidades da Amazônia e o registro de seus nomes como marcas
e convidamos os detentores destes direitos a
se justificarem através de um comentário.
A Amazonlink.org por sua vez, não se responsabiliza por quaisquer
erros ou omissões nas informações fornecidas nesse
site.
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