CULTURA RIBEIRINHA


Aos primeiros nordestinos que chegaram na Amazônia, na segunda metade do século passado, este aprendizado foi mais evidente, pois estes não tinham experiência com uma floresta tão densa como a Amazônica e muito menos com o trabalho de corte e coleta do látex da seringueira. Tal trabalho era realizado com uma pequena machadinha e o corte geralmente atingia o caule, causando a formação de nós que tornavam as árvores estéreis. Era um homem “brabo” trabalhando na mata. O tempo, a experiência e a convivência iria mansa-lo”, em seu trabalho, o corte iria tornar-se suave o suficiente para preservar a árvore e fazer jorrar o látex, prêmio pela satisfação da mãe da seringueira.

Aos botos, mamíferos de água doce, há uma enorme variedade de representações em que aparecem como um animal encantado e capaz de lançar encantos; há boto que salva do naufrágio, há o boto que vinga do pescador que o matou, perseguindo-o quando este entra na água, há ainda a cidade dos botos, onde existe fartura de alimentos, muita alegria, música e festa. De fato, muitas estórias de botos já foram relatadas, porém vale a pena citarmos algumas particularidades destas narrativas que também são comuns no Cuniã.

Tempo suficiente para desenvolverem um modo de vida adequado ao meio ambiente daquela área; reconhecerem que a mata e as águas têm seus mistérios e protetores; reconhecerem na mata as espécies vegetais que curam suas enfermidades; criarem um elenco de narrativas, de encantos e magias que na realidade é a forma simbólica de representarem o seu modo de vida; saberem o período de reprodução das espécies animais terrestres e aquáticas; criarem normas próprias de proteção ao meio ambiente e principalmente, manterem, por todos esses anos, a área com a mesma riqueza vegetal e animal.

No entanto estas diversidades não podem ser desvinculada da a realidade “globalizada” que rompe os costumes de gerações e “impõe” mudanças de comportamento, consumo, de forma indiscriminada. Neste aspecto é necessário reafirmar os valores sociocultural, e que a utilização dos recursos naturais disponíveis possam garantir a sustentabilidade no presente, sem comprometer as gerações futuras.


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