O IV Encontro de Culturas
Indígenas do Acre e do Sul do Amazonas iniciou
o dia 22 de abril com a apresentação de
uma pajelança Kaxinawá. Na dança
ritualística de cura os Kaxinawá mostraram
como curam os seus doentes na aldeia, sem médico
de branco, sem remédios farmaceuticos ou outras
formas de cura que não as da floresta.
Cantando músicas em sua própria língua,
dançando em seu próprio rítmo, os
Kaxinawá emocionaram a todos com a prova de extrema
riqueza cultural que emana da radição milenar
da tradição indígena.
28 índios, vestidos à carater, apresentaram
alguns recortes a cultura milenar do seu povo. Os Kaxinawá
ficaram a noite de ontem (21/04) ensaiando. Fizeram bonito
e arrancaram aplausos espontâneos de uma população
que ainda não conhecia nada parecido. Mesmo com
o sol forte que assolou o município de Cruzeiro
do Sul durante o dia de ontem, a população
cruzeirense insistiu em assistir as apresentações
até o último grito indígena.
Até reporteres indos do sul do país, acostumados
a grandes emoções e a situações
diferentes a cada materia, emocionaram-se com a singularidade
do indígena amazônida. Elizabeth Begonha,
apresentadora do programa Amazônia Brasileira pela
Rádio Nacional de Brasília, falou à
sua equipe que nunca tinha visto nada tão emocionante.
“o Acre passa a ser uma referência ao respeito
às diferêncas culturais; às diferenças
abstratas. Gostaria de ficar mais algum tempo para melhor
conhecer este povo que tanto me emocionou”, disse
Elizabeth Begonha ao se despedir no aeroporto da cidade.
Frutas, caiçuma,
brincadeiras, confraternização pelos povos
Jaminawá-arara e Kaxinawá, durante toda
a tarde do dia 22/4. Pela primeira vez na história
dos Encontros de Culturas Indígenas, os povos ensaiaram
apresentações e desenvolveram novas formas
de convidar o público a participar da festa. Brancos
tomaram caiçuma, cambô (vacina do sapo),
comeram frutas e se sentiram irmãos...iguais, ou
no mínimo, culpados.
Os Apurinã fecharam a rodada de danças na
parte da tarde, decendo do palco e dançando em
meio à multidão que assistia à tudo
inebriada. Realmente esta é o melhor retorno que
se tem: a certeza de que a semente do próximo encontro
está sendo construída, plantada e que, certamente,
dará frutos, dos mais bels e deliciosos.
Na parte da noite um
grande público prestigiou o encontro que iniciou
com a participação do Povo Arara. “Estamos
resgatando nossa cultura. Somos povos resistentes e resistimos
por mais de quinhentos anos”, discursava uma liderança
enquanto outros, no centro da arena, apontavam suas flechas
em direção céu como uma forma de
demonstrar sua força de vida e de resistência.
Em seguinda os povos Marubos vieram
com uma dança que cultuva os pássaros amazônicos.
Girando em uma grande roda com os braços abertos,
os Marubos imitavam o vôo dos pássaros e
reproduziam sons típicos em referência aos
cantos das aves.
Para fechar o quarto
dia de encontro, os índios Katukina vieram com
mais de 30 participantes e apresentaram várias
brincadeiras típicas de sua cultura, como as “fogo”
e do “mamão”. Na brincadeira do mamão,
o público foi convidado a participar.
Alguns espectadores aceitaram
o desafio e se integraram na brincadeira, mostrando que
hoje somos cientes de que o respeito às diversidades
é fundamental para a valorização
e o regate das culturas dos Povos Indígnas.